O tempo parou, a brisa suave que a refrescava e movimentava o seu cabelo estagnou, a música alegre emitida pela Natureza tornou-se triste e monótona e a única certeza que lhe restou foi a incerteza que a preencheu naquele momento de revelações . Respirou fundo . Tentou assimilar cada palavrinha daquele discurso traiçoeiro e mesquinho . O seu coração esperançoso tentou encontrar outro significado naquela verdade feia, nua e crua . Então, começou por negar, recusou-se a acreditar e culpou-se a si mesma por tudo o que lhe estava a acontecer . Contudo, o seu orgulho despertou e com ele surgiram as dúvidas de um passado intenso e apaixonado . Duvidou de cada palavra, cada gesto, cada suspiro e a ausência que encontrou, os espaços mal preenchidos fizeram sentido ... Como era possível ela acreditar tanto em alguém ? Como era possível não duvidar e cair, vezes sem conta, no mesmo erro ? Como era possível alguém ter a coragem, ou mesmo a horrorozidade da coragem de ferir alguém ? Por isso, voltou a culpar-se ... Procurou razões para desculpar, mais uma vez, mas não conseguiu . O seu coração relembrou-lhe, como sempre faz, que quando se ama alguém, não se pode desistir . Mas ela calou-o, entrelaçou as suas mãos em volta dele e apertou-o com tanta força que deixou de o sentir bater e com a cabeça apoiada no seu colo deixou as lágrimas cairem, para que com elas arrastassem todo o sofrimento e toda a mágoa que o seu olhar transmitia ... E assim ficou, abraçada ao seu próprio peito, no fundo para proteger o seu coração frágil e para o impedir de mais uma vez se entregar incondicionalmente . E esperou, esperou sem vontade, sem esperança, à deriva, por uma razão para o libertar novamente do sufoco do seu próprio abraço .
Espero por um sentido, um sinal, um rumo ... Espero por uma razão mais forte do que este sentimento, do que esta dor .

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