Procurei uma luz no fundo de um túnel . Quanto mais me aproximei e lutei contra a escuridão das trevas que me envolvia, percebi que essa luz foi criada por mim, era a esperança, a fé que me guiava . No entanto, esse foco apagou-se, essa crença morreu ... Agora, sigo às escuras, túnel, após túnel, sem nunca encontrar um final . Rapidamente, a minha vida tornou-se numa constante sequência de segundos, minutos, horas e terríveis dias, seguidos de terríveis semanas.
Com o tempo, habituei-me ao turbilhão de recordações a que o meu inconsciente me expõe, uma após outra . Aprendi a bloquear o meu pensamento e, por momentos, simplesmente não pensar . Aprendi a secar as lágrimas mesmo antes que estas caiam, para não preocupar mais ninguém . Habituei-me a sentir o peso do mundo sobre mim, sem nunca encontrar ninguém suficientemente culpado para o dividir comigo . Aprendi a valorizar pequenos gestos, a sentir admiração por aquele amigo que me faz sorrir, por aquele que se esforça por me distrair, mas sobretudo por aquele que simplesmente me abraça e deixa que o seu silêncio me reconforte .
Sigo, assim, sem rumo e sem chão, sentindo, apenas, o meu coração magoado a bater pela esperança de encontrar ou mesmo reencontrar aquele que me resgatará da escuridão do meu sofrimento . E caminho, sem fé, porque a vida tratou de pintar de negro o mundo cor-de-rosa que um dia eu criei e mostrou-me que os finais felizes são simplesmente fruto de um coração ferido que se esforça por não resistir ao sofrimento total ...
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